Surface: cinco questões ainda sem resposta sobre os tablets da Microsoft

A Microsoft deixou um monte de perguntas sem resposta após seguir a Apple no mercado de tablets com o anúncio de sua família de tablets Surface, baseados no Windows 8, durante um evento para a imprensa em Los Angeles na última segunda-feira (18/06).
Segundo a Microsoft os tablets Surface foram projetados como “companheiros” para o Windows 8, a mais dramática mudança no sistema operacional desde o Windows 95. Segundo Steve Ballmer, CEO da empresa “Quisemos dar ao Windows 8 seu próprio hardware inovador”. O sistema operacional, que ainda está em desenvolvimento, deve chegar às lojas por volta de Outubro deste ano.
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Microsoft Surface, na cor preta e com a “Type Cover” com teclado mecânico
Curiosidade: esta não é a primeira vez que a Microsoft usa o nome “Surface” em um produto. Ele foi aproveitado de uma mesa inteligente, com uma superfície sensível ao toque e capaz de reconhecer e reagir a objetos, anunciada pela Microsoft em 2007.
As primeiras impressões são boas
Com base na ficha técnica, os novos aparelhos parecem promissores e as impressões iniciais são geralmente positivas. Os novos tablets terão uma tela de 10.6 polegadas, um apoio integrado para que possam ser colocados em pé sobre uma mesa e uma finíssima capa protetora com teclado integrado que se acopla aos aparelhos usando imãs.
O Surface estará disponível em duas versões: Surface with Windows RT e Surface with Windows 8 Pro. A versão RT do Windows 8 está sendo desenvolvida para aparelhos com processadores ARM, e inclui a nova interface Metro, otimizada para toque, uma versão adaptada do Microsoft Office e uma versão limitada do tradicional desktop do Windows, para rodar o Internet Explorer.
Tablets Surface with Windows RT incluem um slot para cartões microSD, uma porta USB 2.0 e uma porta micro HDMI. Os aparelhos irão pesar cerca de 700 gramas, com 9,3 mm de espessura. A Microsoft não informou qual processador será usado (especula-se que uma variante do Nvidia Tegra 3), mas disse que o tablet estará disponível em versões com 32 ou 64 GB de memória flash.
Já os tablets Surface with Windows 8 Pro serão baseados em um processador Intel Core i5 de terceira geração (Ivy Bridge) e terão acesso tanto à interface Metro quando ao desktop tradicional do Windows, sendo compatíveis com quaisquer aplicativos já escritos para a versão atual (Windows 7) ou anteriores (Vista, XP e outros) do sistema. Haverá versões com 64 ou 128 GB de memória Flash, e todas terão um slot para cartões microSDXC e portas USB 3.0 e Mini DisplayPort. O peso será de cerca de 900 gramas, com 13,5mm de espessura.
Isto é o que já sabemos sobre os Surface, mas há algumas perguntas pertinentes que ainda estão sem resposta.
Quanto eles irão custar?
A Microsoft não deu detalhes quanto ao preço dos tablets Surface. A empresa disse que a versão com Windows RT terá preço “comparável ao tablets Windows RT de outros fabricantes”, e que a versão com Windows 8 Professional terá preço “comparável ao dos Ultrabooks”.
Vamos dizer que o preço dos tablets com Windows RT seja similar ao do atual líder de mercado, o iPad. Assim, os modelos mais básicos do Surface deverão custar entre US$ 600 pelo modelo de 32 GB e US$ 700 pelo modelo de 64 GB.
O preço do Surface “Pro” é outra história, já que a Microsoft quer competir com os Ultrabooks. Quando a Intel anunciou esta nova categoria de portáteis, em Maio de 2011, eles deveriam custar menos de R$ 1.000. Mas este sonho só está se tornando uma realidade agora, com a segunda geração de Ultrabooks.
Aparelhos como o Lenovo U310 e o 410 tem preço entre US$ 750 e US$ 800 (nos EUA) respectivamente. A Vizio, uma novata no mercado de PCs, lançou recentemente uma linha de Ultrabooks com preços a partir de US$ 900, e o modelo base do novo Sony Vaio T13 custa US$ 800. Será que o Surface Pro também custará menos de US$ 1.000, ou irá a Microsoft tentar um preço mais alto, como o do Samsung Series 9 (entre US$ 1.400 e US$ 1.500) ou o ASUS Zenbook Prime UX31A (US$ 1.100)?
Quando chegam às lojas?
A versão Windows RT do Surface deve chegar às lojas na mesma época do lançamento do Windows 8, que é esperado para Outubro. O Surface Pro deve ser lançado três meses depois, ou seja, no início de 2013. Em ambos os casos, a Microsoft não mencionou datas específicas.
Será que a Microsoft vai algum dia desistir da caneta?
A Microsoft não resistiu a uma referência a seus tablets legados (os “notebooks conversíveis) e inclui uma caneta no Surface Pro. Mas será que ela não vê que os consumidores já disseram “não, obrigado!” a essa tecnologia adotando em massa aparelhos controlados apenas com o dedos, como o iPad?
E quanto à conectividade com redes 3G e 4G?
A Microsoft não disse se os Surface terão modems integrados para conexão a redes 3G ou 4G. Talvez a empresa não queira discutir o assunto enquanto trabalha para estabelecer parcerias com operadoras para a venda de seus novos tablets. Aparelhos apenas com Wi-Fi são ótimos, mas muitas pessoas – especialmente as que podem estar interessadas no Surface Pro como ferramenta de trabalho – irão querer a opção de um aparelho que, embora um pouco mais caro, possa se conectar à internet em qualquer lugar através de uma rede 3G ou 4G.
Será que o Surface irá cumprir a promessa do iPad?
Quando críticos de tecnologia especulam sobre o futuro do iPad, muitos se perguntam se algum dia ele poderá substituir o PC doméstico para muitos dos usuários. De certa forma ele já fez isso, para usuários que só precisam de um computador para acesso casual à internet, e-mail, redes sociais e streaming de áudio e vídeo. Também há profissionais que usam o iPad em vez de um notebook no trabalho, incluindo programadores, jornalistas e proprietários de pequenas empresas.
Mas embora o iPad esteja se tornando uma escolha popular para computação móvel, muitas pessoas ainda se agarram a seus notebooks. Isso pode mudar com o Surface e aparelhos similares, já que eles oferecem uma familiaridade que o iPad não necessariamente tem.
Isto se aplica especialmente ao Surface Pro: é um PC Windows completo que ainda assim é um tablet relativamente esguio com um teclado fino projetado pensando naqueles que digitam rapidamente. Isso significa que você pode pegar todos os programas que usa nesse exato momento e colocá-los em algo com o tamanho e peso de um tablet.
Ainda falta algo…
Com base em tudo o que a Microsoft disse, uma coisa que pode estar faltando no Surface é um preço inicial mais atraente, de cerca de US$ 500. Esse parece ser o “número mágico” para as pessoas que compram iPads, e tablets que inicialmente tiveram um preço mais alto não conseguiram ganhar tração no mercado.
Talvez a Microsoft consiga atingir o preço de US$ 500 com a versão de 32 GB, como faz a ASUS 
com o Eee Pad Transformer Prime TF201, mas não teremos certeza até que os tablets cheguem às lojas.
A Microsoft tem um bom começo com o Surface, mas ainda teremos que aguardar alguns meses para descobrir se as promessas da empresa atenderão às expectativas dos consumidores.
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