Não é preciso fazer Harvard para chegar ao Vale do Silício

Eduardo Saverin, cofundador do Facebook fez Harvard, e Mike Krieger, cocriador do Instagram, cursou Stanford. Mas isso não significa que para chegar ao Vale do Silício você precise estudar em faculdades caras e famosas como estas. SegundoNathalie Trutmann, diretora de inovação da FIAP e consultora para startups, no maior pólo tecnológico do mundo o que vale mesmo são ideias, prática e networking.

Para a diretora o conhecimento técnico é essencial, pois na Califórnia a maioria das empresas e startups são fundadas por pessoas que fizeram cursos específicos. E esta competência, obviamente, virá da vida acadêmica, mas não necessariamente de uma instituição de fama internacional.

“Neste meio digital é muito importante o conhecimento técnico e a prática, e não apenas a noção de gestão de negócios, que pode ser adquirida com um curso de administração, por exemplo. No Vale do Silício eles não contratam pessoas sem especialidade e experiência”, comenta.

A sugestão de Nathalie, portanto, é dar preferência para engenharia da computação, arquitetura da informação, sistemas da informação, administração em TI e qualquer outra graduação que te deixe perito no assunto e te faça colocar a mão na massa – dentro ou fora da faculdade. Outra dica é complementar o ensino acadêmico com a leitura de livros sobre empreendedorismo, além de cursos voltados para uma área, dentro da sua profissão, que te atraia.

“Para se sentir seguro em um ambiente como o do Vale do Silício é importante saber os conceitos e terminologias que se usam por lá, além de se informar sobre a região e as empresa”, aconselha.

O estudo do mercado o qual você quer entrar faz toda a diferença na hora de buscar um emprego no Vale do Silício ou abrir sua própria empresa. Nathalie lembra que desta forma é possível identificar com mais facilidade as oportunidades de negócio. Outro ponto fundamental é se adequar a cultura do pólo tecnológico.

“Os brasileiros não tem costume de compartilhar conhecimento e ideias com medo de serem roubados, mas lá nos Estados Unidos isso é muito comum. Os empreendedores e profissionais do Vale do Silício trocam opiniões, dividem pensamentos e aprimoram seus projetos baseados em conversas. É o tal do networking”, diz.

A capacidade prática também conta muito neste meio, de acordo com Nathalie. É comum as pessoas arriscarem mais e enxergarem o erro como aprendizagem e não como fracasso. Sendo assim, a execução de projetos se torna fundamental e se baseia, principalmente, no conhecimento técnico.

“Eles vivem na cultura do teste rápido. O Mark Zuckerberg, por exemplo, por ser programador, foi capaz de desenvolver o Facebook, enquanto os gêmeos [Winklevoss] ficaram na ideia”, avalia.

Ao analisar o caso do Facebook fica claro a relevância dos três pontos que a especialista comentou no início da matéria; nesta história, a ideia, prática e networking foram mais importantes que a instituição em que os envolvidos estudaram. 


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