Cinco fatores-chave para o futuro do open source

Quase 15 anos desde que o termoopen source foi aplicado no mercado de TI pela primeira vez, as tendências que conduzem o movimento de código aberto não são as mesmas. Naquela época, a vantagem de preço, a diferenciação sobre licenciamento em comparação com o software proprietário e a adoção liderada por empresários inovadores foram fatores fundamentais para dar forma ao código aberto.
Hoje, o movimento está mais maduro, e as tendências em torno dele também. Sua revolução teve um impacto significativo, e tratar open source como se ele estivesse associado apenas à economia de dinheiro é não compreender o quão longe o código aberto chegou.
Abaixo, veja cinco tendências que são consideradas fatores-chave de projetos e das comunidades de código aberto hoje. Elas são o retrato de uma indústria em evolução.
1. Aumento das comunidades
Quinze anos de movimento e o que está claro é que não há uma única forma de governança de open source. Enquanto muitos projetos de código aberto compartilham algumas características, cada abordagem tem suas armadilhas e cada comunidade enfrenta desafios de governança. Dito isso, dois temas recorrentes resumem os pontos mais bem-sucedidos de projetos de código aberto. 
Em primeiro lugar, embora as comunidades pareçam ser uma democracia, quase todas não são. Em quase todos os casos, o direito de ter voz na determinação dos resultados – por votação ou como parte de um consenso formal – é concedido a um número limitado de participantes da comunidade com base no mérito associado com a contribuição de algum tipo. Isso resulta numa forte e estável liderança compreendendo os líderes mais favorecidos.
Se o projeto for realmente aberto, qualquer um pode tornar-se um contribuinte reconhecido se demonstrar mérito, mas, no final, “aberto, oligarquia meritocrática” são os termos mais corretos do que a “democracia” contida na descrição de muitas comunidades de código aberto. Esses grupos são regidos por pessoas reconhecidas, cujas ações têm demonstrado aptidão para liderar, mas podem ser substituídos a qualquer momento se outros demonstrarem características adequadas.
Um segundo tema que tornou-se tendência nos últimos anos é como o engajamento empresarial no open source tornou-se mais forte. Os projetos já perceberam que precisam de um lugar próprio, resultando no surgimento de entidades jurídicas independentes que atuam como recipientes para as comunidades de código aberto.
Geralmente chamadas de “fundações”, independentemente da sua forma jurídica real, essas entidades sem fins lucrativos legais oferecem vários benefícios, incluindo:
  • Uma anfitrião para a gestão fiscal e outros recursos compartilhados, como marcas e direitos autorais compartilhados
  • Um líder para o pessoal de serviço da comunidade e do projeto
  • Um fiador e facilitador para a governança
  • Um provedor de infraestrutura
Apenas criar uma fundação não resolve os problemas de relacionamento da comunidade. Estabelecer bons relacionamentos e garantir confiança entre os membros é fundamental. O crescimento de entidades como a Apache Software Foundation e a Eclipse Foundation, a introdução de fundações para grandes projetos, como OpenStack e LibreOffice, e existência de fundações de uso geral, como OW2 e OuterCurve, fornecem ampla evidência da crescente importância das fundações no impulso do open source.
Todas essas entidades cultivam a confiança na estabilidade das atividades que representam e incentivam a participação de empresas. 
2. Proliferação de opções de licenciamento open source
Outro fator-chave do movimento open source, hoje, é o grande volume de opções de licenciamento disponíveis e como a escolha de licença de código aberto está mudando, graças a uma maior participação de organizações empresariais que reconhecem a importância da comunidade.
Todo o software automaticamente beneficia-se da proteção de direitos autorais para o seu autor, dando-lhe o controle sobre quem pode fazer cópias do código-fonte ou derivados, incluindo extratos de fonte e compilados binários. Uma vez que a versão executável do software tem de ser copiada para um computador para ser usada e na memória para ser executada, é necessário ter uma licença do detentor dos direitos autorais pelo uso do software.
Nos primeiros dias do open source, foram duas as opções de direitos autorais de licenciamento: Unix Berkeley System Distribution (BSD), de Bill Joy, e General Public License (GPL), de Richard Stallman.
A adoção dessas ideias por parte das empresas foi motivação fundamental para a criação do Open Source Definition como ferramenta para categorizar licenças de código aberto. Em 1998, estava claro que os outros queriam replicar a experiência do projeto Mozilla e declarar o seu trabalho “livre”, enquanto ignoravam a necessidade de oferecer a liberdade do software. 
Para combater isso, o Open Source Initative foi formado com o objetivo de promover o “open source” e dar a credencial software verdadeiramente livre. A partir daí, concessão de licenças de software poderiam ser usadas, estudadas, modificadas e distribuídas, tendo o OSI como representante.
Empresas que pretendem evitar o uso do GPL seguiram o exemplo do projeto Mozilla e criaram suas próprias licenças. Como resultado, mais de 60 licenças foram aprovadas pela OSI nos primeiros anos da era do código aberto. Mas essa proliferação veio com um custo. Licenças de código aberto muitas vezes não se conversam, condenando o projeto ao isolamento. 
Nos últimos anos, novos projetos têm tido mais consciência do papel da licença para permitir a formação de comunidade. O resultado tem sido uma tendência de licenças liberais, como o Apache License ou BSD/MIT, eliminando barreiras em relação à participação de colaboradores de empresas. OpenStack, por exemplo, usa o licenciamento liberal.
3. Espectro de patentes de software
O sistema legal conta com um efeito multiplicador sobre o movimento atual de código aberto sob a forma de patentes de software, um grande contraste em relação há 15 anos.
Patentes protegem implementações de ideias, não ideias propriamente ditas. Embora o software só possa ser formalmente protegido por direitos autorais, construções verbais inerentes ao software ou algoritmos para computadores de uso geral têm permitido a concessão de cada vez mais patentes de software.
Patentes de software também são diferentes de objetos físicos. Dois programadores em dois lugares do mundo podem, de fato, conceber o mesmo método para resolver o mesmo problema sem copiar um ao outro. Assim, para o software de código aberto e proprietário, as patentes representam uma ameaça. A qualquer momento, uma empresa com bons recursos pode desafiar outra entidade de qualquer tamanho. Não há nada que um desenvolvedor individual possa fazer para ser protegido contra as patentes de software.
As melhores formas de proteção para os desenvolvedores são:
  • Construção de pools de patentes para se defender contra rivais corporativos
  • Comprar portfólios para tirar patentes de circulação
  • Construir ferramentas para estabelecer arte prévia e se envolver em publicação defensiva
  • Litigar [questionar em juízo] pró-ativamente e assegurar o licenciamento cruzado de concorrentes
As solicitações de patentes mais lucrativas são realizadas em segredo, começando com grandes ameaças privadas acompanhadas por uma oferta de licença em troca de uma parte da receita e garantia de sigilo. Essa é uma fonte de receita significativa para as grandes corporações, como IBM e Microsoft. 
Nada disso era um problema sério há 15 anos. Hoje, o código aberto está evoluindo no contexto de cenários de patente. Fundações oferecem uma estrutura que protege patentes da comunidade e também de corporações. Modernas licenças de código aberto, como GPLv3 e MPLv2, oferecem uma “paz de patentes”, ou seja, concedem licenças para patentes de contribuintes em troca de um acordo de não litigar.
As patentes de software continuarão a ser um fator-chave para a evolução do código aberto, tanto para as comunidades lidar com elas como para as corporações explorarem as vantagens de bases de código aberto e licenças.
4. Cloud computing: celeiro para código aberto
Construída predominantemente em software de código aberto, a computação em nuvem tem evoluído para tornar-se força motriz significativa do movimento atual de open source.
Soluções de cloud devem ser implementadas de forma flexível, especialmente em situações de balanceamento de carga, nas quais várias instâncias temporárias podem ser necessárias. Como resultado, a maioria dos pacotes proprietários, que usa complexos métodos de preços, é inacessível em aplicações em nuvem.
Software de código aberto, por outro lado, pode ser modificado para atender às necessidades da empresa. Como consequência, é preferido para a entrega de cargas de trabalho na nuvem. 
Como resultado, o crescimento de organizações que utilizam código aberto na nuvem ampliou a pressão para criar fundações sem fins lucrativos para sediar código compartilhado. Assim, as abordagens de licenciamento estão sendo reforçadas para incluir implementações de nuvem como um gatilho [Affero General Public License faz isso] – ou desenvolvedores estão seguindo esse caminho.
A ascensão da computação em nuvem também está alimentando novos modelos de negócios de código aberto, como o CloudBees. Testemunhar o salto de nuvem nas comunidades de código aberto, como o OpenStack, é parte do movimento.
5. Big Data: valor além do software
O modelo de negócios em torno do software de código aberto está em torno de consultoria, suporte e serviços. O surgimento de organizações centrado em dados está mudando esse cenário.
No mercado, agora, a maior base de software de código aberto está em empresas como Google, Facebook e Twitter. Eles reúnem grandes quantidades de dados sobre a atividade dos usuários e as processam para conduzir os negócios. Assim, o que diferencia seus negócios não é o software em si, mas a forma como ele está configurado, implementado e combinado com outras soluções para gerenciar e extrair valor a partir de dados em grande escala.
Conforme mais empresas se movem em direção ao open source, podemos esperar crescimento do modelo: mais projetos liberados, mais empresas envolvidas em comunidades, mais pressão de patentes, entre outros.
Futuro do open source
O movimento de código aberto evoluiu significativamente desde que o OSI foi lançado há 15 anos. No entanto, em muitos aspectos, os fatores de condução do uso do código aberto e a adoção são simplesmente herdeiros dos impulsionadores originais do código aberto: liberdade de software e sua garantia por meio de licenciamento de fonte aberta.
Via: IDG Now
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