China ainda está longe de ter ciberespiões de alto nível, diz ex-hacker chinês

Tao Wan trabalha atualmente para a IBM, mas disse que já foi um jovem revoltado, veterano da cena hacker que surgiu na China no final dos anos 90. Ele canalizou suas frustrações por meio do grupo de hackers chamado de Green Army – do qual foi membro antes fundar a China Eagle Union. O grupo, do mesmo jeito que o Green Army, acredita-se ser responsável por desfigurar sites estrangeiros.
Atualmente, Wan te 41 anos e amadureceu muito. Ele trabalha em Pequim como consultor de gestão em nuvem na equipe Cloud Tiger Team, da IBM – responsável por vender soluções em computação em nuvem da empresa.
Mas Wan ainda possui as motivações e capacidades dos cracker de hoje na China, que muitas vezes são acusados ​​de ataques cibernéticos – cada vez maiores – contra os EUA.
O retrato que ele vê atualmente não é o uma de uma máquina azeitada, pela qual hackers talentosos são selecionados pelo governo chinês e rapidamente integrados em campanhas maliciosas. Pelo contrário, disse ele, é um cenário composto por hackers semi-talentosos, autodidatas – alguns impulsionado por sentimentos nacionalistas – para provocar problemas na forma de protestos eletrônicos, outros que buscam lucrar com o seu conhecimento.
Hackers nascidos na década de 1990 aprenderam suas habilidades em cibercafés, enquanto seus pais estavam fora trabalhando, disse. “Esta geração não é tecnicamente capaz, eles só gostam de se mostrar – são jovens com baixa capacidade técnica”, afirmou Wan, que se apresentou na conferência de segurança Power of Community, que aconteceu nesta quinta-feira (7/11) em Seul.
No passado, os hackers chineses foram estimulados por controvérsias geopolíticas, como quando os políticos japoneses visitaram o Santuário Yasukuni, um memorial em Tóquio para militares do Japão, incluindo os criminosos de guerra da Segunda Guerra Mundial.
Mas Wan prevê uma mudança em breve. “Acho que eles estão saindo da fase nacionalista”, disse. “Acredito que esse sentimento desaparecerá ainda mais no futuro.”
Construir algo útil

Muitos dos hackers estão se afastando do lado mais obscuro da área de segurança e estão à procura de oportunidades na construção de negócios legítimos. Wan tem desempenhado um papel importante nesse cenário, transformando a China Eagle Union em uma organização não-governamental chamada de “Defense Friends Laboratory”, que tem por objetivo incentivar comportamentos mais positivos. “Hackers não são destruidores”, disse Wan. “Eles devem ser construtores e fazer algo útil.”
A população gigantesca da China significa que, proporcionalmente, há um monte de hackers no país. A China tem uma ciberpolícia ativa, mas o país é grande. No entanto, “não se pode dizer que sua atuação é inexistente”, disse Wan.
As autoridades podem demonstrar que estão atentas – que Wan sentiu na pele: um tempo antes de lançar uma campanha para novo ataque, ele foi visitado pela polícia, que “persuadiu” ele e outros a esperar um pouco mais.
O contato entre o governo chinês e os hackers é inevitável, de uma forma ou de outra, da mesma forma que seria entre empresas e o governo em qualquer lugar, disse. Mas a China realmente não emprega hackers. Eles tendem a ser de menor nível social e não se encaixam no tipo de serviço de um trabalhador civil.
Além disso, trabalhar oficialmente para o governo seria maçante. “Se houvesse uma oportunidade, eu recusaria”, disse.
Dito isso, a China deve possuir capacidades de hackers dentro de suas agências de governo, mas há uma diferença nas habilidades em comparação com países como os EUA e a Rússia. “Especificamente algumas agências do governo são muito sofisticadas, mas a capacidade global de hacking delas ainda é menos sofisticado que em outros países”, disse Wan. “Eles precisam ser mais competitivos.”
Via: IDG Now
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