Game Boy completa 25 anos hoje e nada mudou: a Nintendo continua líder nos consoles portáteis

Laguna_Game_Boy_Tetris

Dia 28 de abril, próximo domingo, comemoramos os 34 anos da linha Game & Watch mas até 2004, com a chegada do DS, nenhum outro console portátil da Nintendo conseguiu superar o sucesso que foi a linha Game Boy. Há exatos 25 anos, em 21 de abril de 1989, começaria o reinado da Nintendo no setor de consoles portáteis dedicados a jogos: era lançado o Game Boy original no Japão.

Mesmo hoje, com a disseminação de jogos em smartphones e tablets, a japonesa ainda não enfrentou outro forte concorrente no ramo, que hoje está mais para nicho: o Nintendo 3DS, bisneto do Game Boy, lidera as vendas com bastante folga sobre seu concorrente. Se é que podemos chamar o excelente PlayStation Vita de concorrente. Até o PlayStation Portable, pai do PSVita, cujo hardware era uma aberração beneficiada pela pirataria, não vendeu o suficiente para bater o neto do Game Boy (Nintendo DS).

A japonesa conquistou todo um mercado, todo um nicho e permanece líder há 25 anos, mas o começo do reinado Nintendo não foi nada fácil: em 1989, a franquia Game & Watch estava morrendo. Por que comprar um sistema todo para jogar somente um jogo?

O saudoso Gunpei Yokoi, então chefe da divisão de pesquisa e desenvolvimento de hardware Nintendo, começou a pensar num sistema portátil cujos jogos eram vendidos em pequenos cartuchos removíveis.

O preço, no caso do Famicom [nome japonês do NES], era o principal. Ele [o Game Boy] tinha que ser bom e barato. Gunpei Yokoi insistiu em usar a tecnologia existente em vez de hardware de ponta, que era caro e não havia sido testado pelo tempo.

Sua filosofia era 枯れた 技術 の 水平 思考 (Kareta Gijutsu no Suihei Shikō), frase que pode ser mais ou menos traduzida como ‘pensamento lateral de tecnologia amadurecida’, ou aplicar novas ideias usando peças já disponíveis no mercado.

Com a tecnologia, memória e velocidade do transistor, tudo ficou menor e mais barato. Então por que pagar muitos dólares por peças de melhor qualidade e ter de repassar o custo para o consumidor?

Era economia japonesa elementar: importar materiais, acrescentar valor e vender com lucro.” — Jeff Ryan, “Nos bastidores da Nintendo”, Saraiva eBooks.

O desejo de Yokoi por um produto leve, barato e com bateria (ok, quatro pilhas AA) duradoura retirou da tela do Game Boy original (era um LCD-TFT da Sharp de 2,6 polegadas) dois caros detalhes que hoje são padrão em qualquer tela de aparelho portátil: backlight e cores.

O Game Boy não podia ser jogado no escuro, aliás, quando o tio Laguna brincou com um durante a adolescência, para ver alguma coisa naquela tela verde-oliva soviético tínhamos que primeiro encontrar um ambiente com a iluminação correta. E a alguma coisa que dava para ver naquela tela era sob uma paleta de cores com apenas 4 tons de cinza. Hoje são no mínimo 50. ;)

A linha inicial de jogos japoneses se resumia basicamente a Super Mario Land, mas no lançamento norte-americano em 31 de julho daquele mesmo ano, o então presidente da Nintendo of America, Minoru Arakawa (genro do lendário Hiroshi Yamauchi), teve a mais acertada ideia da empresa: ter o jogo soviético Tetris como o título principal do Game Boy em seu lançamento norte-americano.

O próprio Arakawa viajou à então União Soviética para garantir os direitos de distribuição de Tetris, embora Alexey Pajitnov só tenha recebido o dinheiro uns anos depois por causa da burocracia russa.

Laguna_Portateis_Nintendo

Enfim, não importa: mesmo sem Tetris o Game Boy esgotou no Japão logo depois do lançamento em abril de 1989 e com Tetris os estoques norte-americanos se esgotaram quatro meses depois. Ainda bem, para a Nintendo, que novas remessas do Game Boy foram enviadas às lojas antes do natal e o console não continha qualquer trava de região: o console fabricado e vendido era exatamente o mesmo. Bons tempos, né Nintendo?

118 milhões de Game Boys foram vendidos no total (a conta inclui até o GB Color). Em 1991, a Nintendo dava fim no Game & Watch com o último modelo: Mario the Juggler. Irônica despedida essa, em que o Mario tinha que continuar fazendo malabarismos para vender consoles Nintendo.

Nada mudou nesses 25 anos.

 

Via: meiobit

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