Anã-marrom fria como o gelo é encontrada a sete anos-luz da Terra

WISE-J085510.83-071442.5

Um dos fenômenos intrigantes do espaço é o que envolve as chamadas anãs-marrons. Elas são corpos celestes massivos demais para serem considerados gigantes gasosos, mas frios e emitem pouca luminosidade para receberem a classificação de estrelas. A quantidade de massa que uma anã-marrom possui não é o suficiente para inciar a ignição de hidrogênio em seu núcleo. De certa forma elas são “estrelas fracassadas”, embora emitam certa luminescência de cor avermelhada, com temperaturas entre 1.000 e 2.800 graus Kelvin, e vão esfriando com o tempo.

 

Ainda assim o objeto que recebeu a denominação WISE J085510.83-071442.5 era deveras estranho. O astrônomo Kevin Luhman, especialista nesse tipo de não-estrela achou que os dados captados pelo WISE, o telescópio da NASA receptor de ondas infravermelhas a respeito desse corpo eram muito estranhos: a luz dele era muito vermelha e muito pálida, o que indicaria que ele seria frio à beça.

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Além disso ele estava se movendo rápido, o que indicaria que ele estava próximo. A percepção de movimento foi tão clara nas observações realizadas entre 2010 e 2013 que foi possível determinar que a anã-marrom está a meros 7,2 anos-luz de distância da Terra. Medir a temperatura demandou mais trabalho: o Observatório Gemini do Havaí não conseguiu captar o objeto, de tão frio que ele é. O telescópio espacial Spitzer foi encarregado da tarefa, e através dele foi possível determinar que a temperatura do WISE J085510.83-071442.5 gira entre 225º e 260º K, ou entre -48º e -13º C.

Isso é extremamente frio, abaixo do ponto de congelamento da água. Como em um determinado momento essa anã-marrom era quente ela levou muito tempo para atingir essa temperatura. Mas muito tempo mesmo: os analistas especulam que ele pode ter entre um e dez bilhões de anos de idade, que seria o tempo máximo que ela levaria para arrefecer até o ponto atual.

Ainda é um pouco cedo para determinar o que exatamente estamos observando, pois há a possibilidade de que não seja uma anã-marrom e sim um planeta-órfão: com três a dez vezes mais massa do que Júpiter, ele seria um dos menores corpos celestes de sua classificação e portanto não seria capaz de fundir nem deutério, o que a tornaria mais próxima de um planeta que teria sido ejetado de seu sistema planetário por forças gravitacionais, condenado a vagar pelo espaço sem rumo. Ainda assim a descoberta de um objeto tão antigo nas proximidades da Terra (em escala cósmica, claro) é fascinante.

Fonte: NASA via BA.

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