YouTube está enfim cortando a grana de todo mundo, inclusive por comentários problemáticos.

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Enfim chegou o dia: conforme já estava ficando mais do que claro dadas as diversas mudanças nas políticas de conteúdo do YouTube, a plataforma começou a descer no machado na grana de todo mundo: canais pequenos, médios, grandes e gigantescos estão perdendo a monetização sem dó, com pouco ou nenhum esclarecimento e mais: agora o criador de conteúdo será responsabilizado pelos comentários deixados em seu vídeo, e qualquer mensagem problemática será punida igualmente com a perda da grana.

E sim, a gente vinha avisando há tempos que isso iria acontecer.

Vamos recapitular: quando presepeiros como Felix “PewDiePie” Kjellberg e Logan Paul começaram a fazer estripulias além do considerado razoável, com insultos gratuitos, exibições de cadáveres e outras os anunciantes, que são os verdadeiros clientes do YouTube (o criador de conteúdo é o fornecedor de matéria-prima e o espectador é o produto, para deixar claro de uma vez por todas) fugiram em massa, duas vezes por não querer que seus produtos sejam vinculados a obras preconceituosas, com discursos de incitação ao ódio ou de grupos extremistas. É compreensível, todos querem dinheiro mas não desejam apoiar gente fazendo coisa errada.

O Google, que até então obrava e se locomovia para isso teve que lidar com um cenário em que diversas empresas de primeira linha estavam retirando seus anúncios inclusive do Google Search, seu motor de busca que é responsável por mais de 90% de sua renda bruta e isso a gigante não poderia admitir. Assim, uma série de medidas foram postas em prática como fornecer novas e melhores ferramentas para os anunciantes, que podem filtrar melhor quais criadores podem ter campanhas anexadas.

A seguir o YouTube começou a bater nos canais. As primeiras mudanças postas em vigor prometiam cortar a grana de vídeos ofensivos, com pegadinhas e/ou com conteúdo violento real ou fictício (incluindo gameplays), além de qualquer incitação ao consumo de drogas lícitas ou ilícitas. Claro, num primeiro momento apenas os canais pequenos foram os alvos, já que reduzir a grana dos nanicos poupava o investimento para os canais gigantes que davam mais retorno à plataforma mas na real, tal modelo de negócios é insustentável a longo prazo.

Ao mesmo tempo, o YouTube endureceu as regras para monetizar canais e hoje, apenas os com no mínimo 4.000 horas de visualizações de seus vídeos num período de 12 meses e 1.000 inscritos se adequam. Os demais não entram e mesmo os que já faziam parte do programa que não se enquadravam foram chutados. Paralelamente, assuntos controversos mas que não infringem suas normas também foram varridos para fora e piratas que criaram canais infantis falsos, ou que distribuíam material protegido foram caçados. Recentemente foi a vez dos canais de teoristas da conspiração entrarem na roda.

Só que o YouTube vira e mexe começou a perseguir canais medianos e grandes sem dar nenhuma explicação, restringindo vídeos e canais por palavrões ou nem algo do tipo. O entendimento era de que a plataforma estava se preparando para fechar a torneira de vez, utilizando a mesma estratégia de anos atrás quando o Google acabou com a mamata dos blogs lavando a égua com o AdSense e estava estudando como fazê-lo de forma a atingir todo mundo, de canais grandes a gigantescos e não ter que pagar fortunas para mais ninguém.

O que nos leva ao mais recente vídeo do Felipe Neto, onde o plano do YouTube foi enfim desvendado (aproveitem e leiam o texto do André, que também destrinchou o fato):

Basicamente, os critérios de desmonetização do YouTube continuam tão nebulosos quanto sempre foram, o que o YouTuber chama de “decisão burra” por cortar o dinheiro de qualquer vídeo nas primeiras 24 horas, o período mais crucial para qualquer criador de conteúdo (sim, é de propósito). Só que sendo bastante sincero o YouTube está sim certo ao fazê-lo, visto que ele é o dono do serviço e Felipe Neto, bem como qualquer outro dentro é um usuário e não cliente. De novo, estes são os anunciantes e por deterem a grana, são eles que determinam como as coisas funcionam e a regra é seguir o formato já consolidado nas mídias tradicionais.

Tanto é verdade que o modelo de TV e rádio funciona que os canais hoje contam com programação fixa, em dias e horários pré-determinados (a única diferença é que o conteúdo permanece no ar, mas mesmo nisso já deram um jeito); podcasts sempre fizeram isso e embora não façam tanta grana quanto alguns YouTubers, esse cenário pode mudar em breve. E ao contrário do que muita gente diz a TV e o rádio não estão nem de longe mal das pernas, muito menos a imprensa impressa: uma página dupla na Veja é MUITO MAIS cara do que qualquer spot num canal do YouTube e surpresa, dá retorno.

Voltando ao YouTube, não é interesse da plataforma dar satisfações aos criadores de por que um vídeo perdeu a monetização (segundo o vídeo, uma das atrações trazia uma criança em “roupas de banho”, na verdade um short. E não, o YouTube não está nem aí, não pode e pronto) ou recebeu um aviso de conteúdo impróprio, o que é mortal para alguns canais, mas a parte mais malignamente genial vem a seguir: o serviço passará a responsabilizar o criador de conteúdo pelos comentários deixados no vídeo pelos espectadores, e qualquer mensagem considerada problemática levará à desmonetização do vídeo, sem exceções.

A rigor, o responsável por comentários preconceituosos ou criminosos é o dono da plataforma, no caso o YouTube. Se alguém acionar juridicamente a plataforma é ela que responde legalmente e como isso não é interessante para o Google e nem para os anunciantes, a decisão foi passar a bucha para o Aspira, no caso o YouTuber. Este terá três alternativas:

  • passar a moderar manualmente os comentários de todos os seus vídeos, o que pode ser impossível em alguns casos dado o volume;
  • remover os comentários, o que é fatal para qualquer criador ao podar a interação com seu público e isso inevitavelmente se reverte em uma redução violenta nas visualizações;
  • deixar de fazer conteúdo que instigue ódio e discussões bestas (o que os viciados em lançar iscas não farão), embora nesse caso um ataque coordenado por grupos decididos a prejudicar o criador torna esta a opção menos eficiente, já que humanos são humanos afinal.

No caso o Felipe, cujo canal conta com 19 milhões de assinantes e uma média de milhares de comentários por vídeo decidiu remover a área de mensagens, o que prejudicará seus números significativamente. No mais é bom lembrar que alternativas à monetização, como links externos e outras coisas não agradam o YouTube e não podem ser vistos em outras plataformas que não em navegadores e dispositivos móveis, se bem que em todo caso ninguém clica para ler a descrição.

O que vai acontecer agora: daqui por diante o YouTube jogará pelas regras dos anunciantes, que as ditam com seu dinheiro e cortará sem piedade a grana que muitos canais grandes faziam. A curto prazo (nem médio mais) vai ocorrer o mesmo que com o AdSense, com a plataforma pagando centavos e o Google enchendo o cofre, e o criador que se vire para fazer uma graninha: ou fechando parcerias com patrocinadores por conta própria, ou migrando para outros serviços que muito provavelmente farão o mesmo conforme crescerem (o Facebook já se prepara para não pagar mais ninguém).

De qualquer forma, os criadores agora entendem o que acontece quando você acredita em uma plataforma que detém o faca, o queijo e o gato nas mãos. Eles, claro são o rato.

Via: meiobit

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Sobre Michael Santos

Com um pé no mundo e outro no design. Com pausas estratégicas para um bom expresso, afinal ninguém é de ferro.
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